Cordel e Poesia

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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

SENDA TECIDA DE VERMELHO: Silva Dias


De tanto os seus olhos
Optarem, em foco, apenas
Pelas minhas deformidades
Fui convertido em desgraça,
Todo esse infortúnio
Que sou,
Alimentou o seu ódio, ódio, ódio...
Quanto ódio!
Pois eu não presto, não presto, nunca presto
E ainda estou sendo modesto,
Pois esse infortúnio é
Sangue que ferve
E corre na veia de um gênio ofídico
Palavras?
Expelidas peçonhas que
Apunhalam-me a todo instante
E,
De tão apunhalado,
Sinto a minha senda definhando
Na angústia
Pela sobrevivência...
Quanta demência!
Senda tecida de vermelho
E o meu espelho,
Agora,
É somente vertigem, vertigem, vertiii...
Ver-te, gemo
Virou vício
O abrir da boca geniosa,
Língua vertiginosa,
Vício maldito, conflito, conflito, confii...
O vício é uma boca maldita
A boca maldita faz-se pelo vício
De se maldizer, de maldizer-te
De maldizer-me a todo instante
Choque, chocante, chocante, chocaaan...
Xôoooo!!!!, Caaannte, caaaante, caaaante,
Canto, sim, canto em meu canto,
Pois, em meu canto, com um canto,
Esse mal,
Para bem longe,

Eu espanto.

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