Cordel e Poesia

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quinta-feira, 24 de julho de 2014

NAS FILAS DO HOSPITAL : Silva Dias



Todos nós podemos ver
O mundo atualmente
O homem vive a sofrer
Todo mundo está doente
A miséria em excesso
Desafia o progresso
Da medicina atual
Idosos vivem gemendo
Crianças estão morrendo
Nas filas do hospital.

Para analisar de perto
A situação de horror
Não precisa ser esperto
Basta sentir uma dor
De barriga, ou de cabeça
Apenas que adoeça
E diga que passa mal
Você será humilhado
Esquecido e maltratado
Nas filas do hospital.
  
Foi o que aconteceu
Comigo um certo dia
Meu corpo todo doeu
Por causa d’uma alergia
Pra ela não me matar,
Um médico, fui consultar
Porque não era normal
Aquilo que eu sentia,
Mas quase que eu morria
Nas filas do hospital.

Começou de madrugada
Meu terrível sofrimento
A fila ali formada,
Crescia a todo o momento
Esperava pelas senhas
Escutando as resenhas
Tal e coisa, coisa e tal.
As senhas foram acabando
E as pessoas reclamando
Nas filas do hospital.

Quem a senha recebeu
Uma ficha tem fazer,
Mas nem para todos deu...
O que podemos dizer?
O pobre atura tormento
Péssimo atendimento
E isso tudo é real
Depois de pagar imposto
A gente só tem desgosto
Nas filas do hospital.

Depois de fazer a ficha
Continuei na espera
Na demora se capricha,
Quem quer saúde tolera...
Médicos não aparecem
Miseráveis desfalecem
Em um corredor mortal
Coitados! Não têm direito
Nem o mínimo de respeito
Nas filas do hospital.

Muita gente foi embora
Pois, vaga não conseguiu
D. Mariquinha Chora,
Mas Seu Mário prosseguiu
Em busca de providência
Foi até a emergência...
Outra fila infernal!
Têm idosos desmaiando,
Gente sangra implorando
Nas filas do hospital.

São quase dez da manhã
Não tem Ginecologista;
Faltou o Dr. Natã,
Também, não vai ter dentista;
“A Pediatra, só sexta!
Eu tenho cara de besta?
Só um Clínico Geral
Não atende todo mundo!”
É um desgosto profundo
Nas filas do hospital.

- Enfermeira me ajude!
Grita a mulher gestante
- Eu já fiz tudo o que pude,
Me deixe por um instante!
Dr. Severino já vem...
Tem que aguentar, meu bem,
Essa dorzinha, afinal,
Não vai acabar contigo!
Mulher recebe castigo
Nas filas do hospital.

Um homem, num acidente,
Levou um corte na veia
E sangra constantemente,
Mas a UTI tá cheia.
É grave a situação
Ninguém lhe dá atenção
Sofrer aqui é normal
Nessa cena dolorida
Pessoas perdem a vida
Nas filas do hospital.

Uma mulher com anemia
Está trêmula de fome
Já passou de meio dia
Só então chamam seu nome
Nessa triste condição
Leva uma reclamação
De um médico brutal
Que mal lhe dá uma receita.
Pobre, de tudo, aceita
Nas filas do hospital.

Essa falta de respeito
À saúde minha e sua
É o retrato perfeito,
A verdade nua e crua
Da dura situação,
Mas Deus tem a solução
Pra este mundo letal
Jesus Cristo, nossa cura,
Dará fim na amargura

Das filas do hospital.

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