Quando sai, meu primeiro desejo
Foi poder chegar
Nenhuma pretensão de partir,
Cada pedalada de ida
Significava o esforço pela volta, pela vida
Meu canto, minha casa, meu lugar
Nunca pensei em ir, em partir, em deixar
Partir para quê? Para onde? Por quê?
Não. Só queria ter chegado
Como os meus pés, meu pedais
Depois de ter pedalado
Meu trajeto curto, encurtado
Em nenhum momento foi desejado
Sonhei, em minhas pedaladas, com a liberdade
Segurei em suas mãos
E até pensei ser livre, mas...
Liberdade é tão somente uma canção triste
O tempo canta, o vento canta
A gente inventa, se encanta, espanta
O tempo todo se canta, se ouve,
Mas...
Liberdade é tão somente a dor
De não se ter
O tempo, a brisa, a canção doce, o sorriso
Pois,
Há uma nuvem negra, um pesadelo
Presente em toda parte
Fazendo-nos partir, partindo-nos
Dilacerando nossos sonhos,
Nossos risos, nossas brisas,
Nossos beijos, nossas asas
Essa é aparte que fica,
Uma taça de absinto,
Quando a gente parte,
Pois o insensível, amargo e mortal
Insiste em nos tirar do caminho
Caminho que tentei seguir
No ir, no vir, num esforço pelo melhor
Viver
Pedalei, suspirei, senti a brisa
Transpirei pelo melhor viver,
Mas...
A liberdade é somente essa canção
A liberdade é somente essa dor
Que eu não quis sentir
Não. Jamais pensei em partir
Para não deixar nenhum de vós partido
Foi somente o insensível
Deixando-me partido
E assim, partindo, deixo-vos
De corações exauridos,
Mas...
Ao moverem os vossos pés, vossos pedais
Lembrai-vos de um esforço pelo cantar
Cante o tempo, a brisa, o sorriso,
Uma canção doce
Um dia virá
Em que haverá
Apenas sonho límpidos
Somente canções doces
E, num abraço, cantaremos juntos de novo.
domingo, 29 de dezembro de 2013
MEU CURTO TRAJETO DE PÉS E PEDAIS : Silva Dias (À Erivelton- in memória)
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