Um quadro.
No quadro há um quadro
Ela está no quadro, próxima ao quadro,
De costas, de frente, De lado
Usa o quadro, faz o quadro, faz-se no quadro
Ela fala, gesticula, cala
Olha e fica de frente para ele,
Ele, no quadro, voa
Voa em várias direções
Voa alto
Ela, de salto,
Continua no seu argumento
De lógica, de silogismos,
Ilógico e, lógico!
Em meio ao fictício, ao fingimento,
Ao fato, ao real
De fato, ela clama, exclama, faz pergunta
Pergunta-se...
Ele, nada responde,
Voa longe, não corresponde
Do tópico, se esconde
Nas asas utópicas
Enquanto ela, em cena, encena,
Exibe-se, abre um sorriso
Fica séria, se abre, abre
Cobra... Torce e retorce feito cobra
Usa a língua, sente a presa
Prende e se prende
No quadro
Ele, preso no vôo da utopia,
Vê, mas, seu olhar, desvia
Olha de fino, num fino olhar,
A retina, afina
E, embora não olhe para sua face
Vê a outra
Por entre a abertura mínima
A outra face vista
Mexe com a sua vista,
Pois das asas, ele avista a vista, bela vista
Ela continua a parte, parte nua,
Mas não parte,
Apenas reparte sua parte
No desejo de acordá-lo do seu sonho
Num ato risonho... Escancarado
E ele, calado, envolvido no instinto,
Excitado,
Voa em direção à face vista
Curte essa parte,
Simples assim,
Na fina condição de artista.
domingo, 29 de dezembro de 2013
A CABEÇA , UM QUADRO, MIL BOLINHAS : Silva Dias
Assinar:
Postar comentários (Atom)


0 comentários:
Postar um comentário