Cordel e Poesia

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Biografia do Poeta Cordelista Silva Dias

Biografia do Poeta Cordelista Silva Dias: sua origem, suas histórias e causos

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domingo, 29 de dezembro de 2013

MEU CURTO TRAJETO DE PÉS E PEDAIS : Silva Dias (À Erivelton- in memória)


Quando sai, meu primeiro desejo
Foi poder chegar
Nenhuma pretensão de partir,
Cada pedalada de ida
Significava o esforço pela volta, pela vida
Meu canto, minha casa, meu lugar
Nunca pensei em ir, em partir, em deixar
Partir para quê? Para onde? Por quê?
Não. Só queria ter chegado
Como os meus pés, meu pedais
Depois de ter pedalado
Meu trajeto curto, encurtado
Em nenhum momento foi desejado
Sonhei, em minhas pedaladas, com a liberdade
Segurei em suas mãos
E até pensei ser livre, mas...
Liberdade é tão somente uma canção triste
O tempo canta, o vento canta
A gente inventa, se encanta, espanta
O tempo todo se canta, se ouve,
Mas...
Liberdade é tão somente a dor
De não se ter
O tempo, a brisa, a canção doce, o sorriso
Pois,
Há uma nuvem negra, um pesadelo
Presente em toda parte
Fazendo-nos partir, partindo-nos
Dilacerando nossos sonhos,
Nossos risos, nossas brisas,
Nossos beijos, nossas asas
Essa é aparte que fica,
Uma taça de absinto,
Quando a gente parte,
Pois o insensível, amargo e mortal
Insiste em nos tirar do caminho
Caminho que tentei seguir
No ir, no vir, num esforço pelo melhor
Viver
Pedalei, suspirei, senti a brisa
Transpirei pelo melhor viver,
Mas...
A liberdade é somente essa canção
A liberdade é somente essa dor
Que eu não quis sentir
Não. Jamais pensei em partir
Para não deixar nenhum de vós partido
Foi somente o insensível
Deixando-me partido
E assim, partindo, deixo-vos
De corações exauridos,
Mas...
Ao moverem os vossos pés, vossos pedais
Lembrai-vos de um esforço pelo cantar
Cante o tempo, a brisa, o sorriso,
Uma canção doce
Um dia virá
Em que haverá
Apenas sonho límpidos
Somente canções doces
E, num abraço, cantaremos juntos de novo.

AMÓRFICO (AMOR TECIDO) : Silva Dias


O amor?
Essa chave mágica
Capaz de abrir qualquer porta?
Essa força alheia
Capaz de romper embaraços?
Esse fogo ardente que se foi?
Ah, o amor!
Se é que um dia foi,
Já não é,
Já se foi.
Ice berg... Beleléu
Nada sólido... Solitude
Tudo líquido... Liquidado
Porto que não aporta,
Aparta
Base que não apóia,
Opõe-se
O amor de homens e mulheres?
Óbvio,
É ápice, ávido, hibrido,
Hipócrita, contagioso,
Voto corrompido, desatinado, descabido.
Amor amórfico,
Amornado... amortecido.

DÉCIMAS ANIMALESCAS : Silva Dias





A Zebra, num certo dia,
Saiu para passear
Numa pastagem a pastar
Listrada de alegria,
Mas a Leoa lhe via
Numa estratégia felina
Passos lentos na campina
Da ardilosa temível
Lança um ataque infalível
A Zebra cai em ruína.

Não deu zebra pra Leoa,
Deu banquete azebrado
Seu desejo saciado
Com o grupo numa boa
Na selva quem fica à toa
Vira alvo e cai no dente
Vem a morte de repente
No olhar do predador
Com o dente devorador
O mais forte segue em frente.

RIO DE A (À ADHERRIO) : Silva Dias

À... A... Á... Há? Ah!
A-D-H-E-R-R-I-O
Anafórico,
Dialético,
Hilário,
Exótico,
Racionário,
Roqueiro,
Insigne,
Oftálmico...
Adher... rio
Adherrio e o rio,
Adere o rio, Adherrio
Aderiu e riu
Riu Adherrio no rio
Adherrio do Rio em riso
Adherriso
Adere o riso
Ria rio de Adherrio,
Ria Adherrio junto ao rio
Riso na água,
Água em riso, água de tanto riso
Adherrio e o rio num largo sorriso.

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A CABEÇA , UM QUADRO, MIL BOLINHAS : Silva Dias


Um quadro.
No quadro há um quadro
Ela está no quadro, próxima ao quadro,
De costas, de frente, De lado
Usa o quadro, faz o quadro, faz-se no quadro
Ela fala, gesticula, cala
Olha e fica de frente para ele,
Ele, no quadro, voa
Voa em várias direções
Voa alto
Ela, de salto,
Continua no seu argumento
De lógica, de silogismos,
Ilógico e, lógico!
Em meio ao fictício, ao fingimento,
Ao fato, ao real
De fato, ela clama, exclama, faz pergunta
Pergunta-se...
Ele, nada responde,
Voa longe, não corresponde
Do tópico, se esconde
Nas asas utópicas
Enquanto ela, em cena, encena,
Exibe-se, abre um sorriso
Fica séria, se abre, abre
Cobra... Torce e retorce feito cobra
Usa a língua, sente a presa
Prende e se prende
No quadro
Ele, preso no vôo da utopia,
Vê, mas, seu olhar, desvia
Olha de fino, num fino olhar,
A retina, afina
E, embora não olhe para sua face
Vê a outra
Por entre a abertura mínima
A outra face vista
Mexe com a sua vista,
Pois das asas, ele avista a vista, bela vista
Ela continua a parte, parte nua,
Mas não parte,
Apenas reparte sua parte
No desejo de acordá-lo do seu sonho
Num ato risonho... Escancarado
E ele, calado, envolvido no instinto,
Excitado,
Voa em direção à face vista
Curte essa parte,
Simples assim,
Na fina condição de artista.

DÉCIMAS ANIMALESCAS : Silva Dias

A foca que é fofoqueira
Nadou pro fundo do mar
Não foi para fofocar
E nem para brincadeira
No uso da nadadeira
Pela busca de alimento
Todo seu contentamento
Transformou-se em aflição
Quando o branco tubarão
Disse: - Você é o meu sustento.

A foca foi para um lado
O tubarão foi também
Dizendo: - Tu nada bem,
Só que eu sou arrojado,
To muito mais preparado
Com toda energia acesa.
A foca focada e presa
Na dentada assassina
Um ataque que fascina
Perversa parte é a proeza.

DÉCIMAS ANIMALESCAS : Silva Dias


 Lá vai ela em sutileza,
Com instinto audacioso
Num nado silencioso
Deslizando em correnteza
Prende a presa com frieza
Bote, abraço sufocante
Quebra ossos num instante
Para poder engolir
Assim é a Sucuri,
Super Serpente Gigante.

Jacaré perde a virada,
Capivara perde o nado,
Sem faro fica o veado,
Perde a pinta onça pintada,
Tartaruga é esmagada
Frente à fome voraz
Nenhum bicho é capaz
De escapar do seu abraço
Suculenta presa em laço
Super Serpente sagaz.





SOCORRO : Silva Dias

Adherrio, socorro!
Socorro, Adherrio!
Sim, Adherrio, é Socorro, Socoooorro.
Se eu corro? Não, não corro.
Só corro se tiver Socorro
Se Socorro não corro
Seorrer sem Socorro?
Não, Adherrio! Não morro, não mooooorro.
Só co
m Socorro, momrro
Mm Socorro me movo,
Não me movo sem Socorro,
Nem sequer um ovo
Não grito “pu” povo,
Grito por Socorro...
Ouve Adherrio, meu grito de novo
Grito nada novo,
Pois eu não me movo
Se não há Socorro,
Socorro, Socorro, Socoooorro!
Adherrio, Socorro,
Socooorro, Adherrio!!!!
Se não tiver Socorro
Eu te... soco,
Soco o murro, mas não morro
Se não tiver Socorro lá do morro,
Eu... so... só... morro
Adherrrrriiiiiiio, Socooooooorro!!!!

DE REPENTE : Silva Dias

Quando os meus olhos
Desviaram-se para a tua direção,
Tive ciência do risco,
Risco de olhar,
Risco do olhar,
Risco de te ver,
Risco verídico.
De repente,
Olhos em foco, focados, flamejados
Um foco em risco,
Foco sem risco
Foco nestes riscos.
Olhos de Sol,
Raios radiantes,
Raios ativos, radioativos
Olhos de Sol, solidários
Com os olhos da Lua,
Clara, gema em clara,
Tão clara lua,
Lua Clara, claridade...
Olhos de Sol gemado, aclarado
Olhos vendo a Lua,
Lua vendo, não vendo... Não, não vendo.
Olhos em Lua, Lua de Venus
Olhos em Vênus, Venus de Lua
Lua e Vênus no olhar,
Vênus em Luar...
Olhos, Luz, Lua, Vênus, Clara, Gema...
Gemam olhos,
Como Vulcano, como Marte, como Anquires,
Gema Sol, gema Lua, gema Vênus.
Olhos radiantes, de raios ativos, radioativos,
Como Vulcão, de repente,
Explosivos,
Fogo, gemidos,
Lavas claras, sob e sobre a Venus da Lua.
Olhos aluados, atrevidos.