Cordel e Poesia

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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Cachorro, rato, barata : Fabricio de Si







            Cachorro, rato, barata. Cachorra, pessoa, cobra, minhoca, verme. Que sou eu? Um ser humano? Um bicho? Uma escrava?
            Eu não tenho direito de pensar, nem de agir, tampouco de reagir. Não posso ser, apenas fingir. Fingir que sou a rainha. Rainha? Rainha de quê? A rainha nua? Só se for. A rainha obrigada. Me perguntaram se eu queria esse reinado? Pertguntaram nada. Isso é reinado? Ham!, isso nem é vida!
            E ai de mim se discordar. Sou uma exilada de minha própria vida, fugida de mim, desde que tomaram conta de mim. Tentei fugir, mas não houve jeito. Houve súplicas, ameaças e certo despotismo disfarçado de poesia. Era música o que eu ouvia? Não, era um decreto de um dono, rei, imperador. Era valsa o que eu dançava? Não, era um carrossel hipnótico, uma espiral para baixo, um pião girando, e eu, brinquedo.
            Eu caí.


            Mas eu cansei desse faz-de-contas, dessa noite sem fim. Erguerei-me, farei passeata, farei protesto, serei blackblock. Agora eu serei a heroína. Motim, golpe de estado, revolução: serei dona de minha própria vida. Chega de valsinha, de Chico, de João e Maria, de ditadura, de mentira, de ser criança e inocente. Chega de cachorro, rato, barata.

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