Cordel e Poesia

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domingo, 25 de agosto de 2013

TRAUMA. Silva Dias.



Há um sentimento aviltante, estóico, causticante
Exaurindo-me o íntimo por inteiro;
Deixando-me extraviático, em delírio, em desespero,
Guiando-me sem rumo por um caminho errante.

Desejo óxido, impragmático, um paradoxo
Enertizando-me como um infausto inebriático;
Desferindo-me o seu punhal estigmático;
Perdi o meu eu, sou tão somente um travo tóxico.

É mesmo em transe que estou pelo que sinto,
Pois o que sinto, nem em transe, compreendo.
Se nesse trauma sou ofensa e ofendido,

E se ofendido, ofegante, vou morrendo,
Como é que posso inverter o meu instinto

Se nem por mim posso ser compreendido?

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