Cordel e Poesia

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domingo, 25 de agosto de 2013

SEM PECADO E DESATINO. SILVA DIAS





Quando eu era menino
Meu mundo era diferente,
Pois vivia tão contente
Em meu Sertão Nordestino
Sem pecado e desatino
Meu trabai era brincá
Linda noite de luá
Cantiga e diversão
De roda tinha canção
Bananêra Bananá.

Um tempo de liberdade
Num tinha preocupação
Menino de pé no chão
Na maió simplicidade
A luz da felicidade
A gente via brilhá
Não importava o lugá
Todo mundo era feliz
Cantano o verso que diz:
Bananêra Bananá.

Era tanta brincadêra
Nas noite de São João,
Cumade me dê a mão
Vamos ali pulá  foguêra
A Lua Chêa e facêra
Tão linda a iluminá
Na quadrilha a dançá
Os casal se agarrano
O povo todo cantano:
Bananêra Bananá.

Os menino paquerava
E as menina também,
A gente se queria bem
E muito se respeitava
De repente pai chamava:
“Ô menino, venha cá”!
Com medo de apanhá
A gente obedecia
Cantano com alegria:
Bananêra Bananá.

Brinquei de jogá pião,
Bola de meã e de gude
Joguei tudo quanto pude
Na mais pura diversão
Vovô disse com razão:
Procure aproveitá
Todo tempo de brincá
Pois tudo se caba um dia
Só não morre a alegria
Bananêra Babaná.

Hoje eu fico pensano:
Como o mundo mudô!
Quase tudo se acabô
E o povo se lamentano
Feliz que ta resgantano
Os custume populá
Pricisamo preservá
A nossa identidade
Cantano com liberdade

Bananêra Bananá.

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