Veja como estás... Sem saúde!
Em ti, hospeda-se a dor
Agora, na inquietude,
Pede que Deus o ajude
Com as reformas do amor.
Tu te encontras no vazio
Abandonado, esquecido...
Sem portas e sem janelas
Até sem a luz de velas
Frágil e desprotegido.
É duro te ver caído
No solo da amargura!
Coberto de insegurança...
Sem nenhuma esperança,
Por não teres estrutura.
Já se foram os sentimentos,
A vida, e a emoção...
Foi-se as palavras, os risos
Dando-te prévios avisos
Das dores da solidão.
Agora, sentes as dores
Do abuso da liberdade
Na fria aflição, choras
Angustiado, deploras
Teus dias de iniquidade.
Quem se alia à vaidade,
Da bondade se esquece
Despreza a gratidão,
Ama a escuridão
E, de todo, adoece.
Por isso, estás assim
Sem jardim, perfume, flores,
Vagueando por caminhos
Infestados de espinhos
E demasiados rancores.
Por que desprezaste o ar puro
Inalando poluição?
Toxinas e fumaças
Causaram essa desgraça
À tua respiração.
Agora, a beira da morte
Tu, que mal consegues bater,
Entorpecido em loucura
Destina-te à sepultura...
Não há mais como viver.
E... Nada, nada podes fazer.
Deveras, esse é o teu fim
Condenado por desejos
Não sente prazer nos beijos
Que te deixaram assim.
Tuas veias estão fartas
Do lixo que consumistes
Lixo lento e letal
Levando-te ao final,
Aos últimos momentos tristes.
E te vendo adormecido
Nesse túmulo carnal,
Vejo o retrato de uma guerra:
A vida, em ti, se encerra,
Pois só quem vence é o mal.


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