Olhando dentro dum olhar constantemente,
Deveras, nasce uma fagulha de desejo.
Aflora um incêndio no âmago, um cotejo
E a boca, pelo beijo, implora impaciente.
Um sentimento infalível, verídico, devástico
Alimenta um apetite desprendido
Entorpecendo e animando o enfraquecido
Que, de tão forte, aclara-se verbástico.
“Eu quero,” diz o coração desesperado
“Eu posso, eu devo?” questiona a mente consciente
O inconsciente mantém-se depurado.
O coração é tolo, frágil e inconsequente
A intenção é só um mero artifício
O disparate é o que conduz ao precipício.


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