Cordel e Poesia

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Biografia do Poeta Cordelista Silva Dias

Biografia do Poeta Cordelista Silva Dias: sua origem, suas histórias e causos

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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

FESTA DE BICHO Silva Dias




Jupino se sacode e canta de madrugada
Anuciando que um novo dia nasceu,
Enquanto garça bate com o bico na porta
Com o velho papo de que ta com o papo vazio.

Janina, minha gatinha carinhosa, miau
Alisa as minhas pernas
Com o seu pelinho fofo.
Abel, o meu cãozinho ta litindo, au, au
Balançando o rabinho
Vem me pedir um osso...

Festa de bichos é alegria de criança
Bichos em festa
É a vida cantando a esperança.

Enquanto ana luiza se espreguiça na cama
A passarada canta sem parar no quintal.
Mamãe tirando leite da vaquinha mimosa
A bezerrinha estrela corre pelo curral.

Também quero falar do pintassilgo timão
De pumba, o azulão, e suas cambalhotas
O papagaio joca canta o hino nacional
E teca, a porquinha, tem as perninhas tortas.

Festa de bichos é alegria de criança
Bichos em festa                                                             
É a vida cantando a esperança.















CAMINHO 2 (Duduzinho dor de Kbça) Silva Dias



Duduzinho, dor de cabeça:
Um craque de bola
De meia e de gude.
Com simplicidade
Vive a liberdade.
Nudez no sorriso...
Nada de juízo,
Nada no açude.

Duduzinho, dor de cabeça:
Caminho da escola,
Colega ferido,
Cabeça furada...
Sangue, choro, surra,
Chicotada, risada.
Duduzinho, punido.

Duduzinho, dor de cabeça:
Hora do recreio,
Confusão armada,
Camisa rasgada.
Não quis a merenda,
Ímpeto na sala,
Boca que não cala. Que feio!
Duduziiiiiinho, apreeeenda!

Duduzinho, dor de cabeça:
Badogue na mão,
Capanga de bala...
Balada em quê?
Caatinga escassa,
Já não há mais caça.
Duduziiiinho, a caça é você!

Duduzinho, dor de cabeça:
Perdeu o badogue,
Ganhou celular,
Aprendeu a teclar,
Só vive plugado
No vício, afogado.
Já não vive mais...
Perdeu seu lugar.

Duduzinho, dor de cabeça:
Ausente na escola;
Não joga mais bola;
Deixou de ser craque...
O craque o domina.
Perdido numa esquina,
De cabeça feita
Sem ter feito nada...

Duduzinho, nada na cabeça.
Sem paz, sem calor,
Sem luz e destreza.
Só o frio da tristeza
E o abraço da dor
Duduziiiinho, esqueça, 

Eeeeerga-te, veenha, creeça!

domingo, 25 de agosto de 2013

7°SÃO PEDRO DA MUDANÇA. FORROZÃO DO CORDEL ENCANTADO “O AMOR ESTÁ NO ARRAIÁ” Silva Dias




América Dourada tem o orgulho
E o prazer de apresentar
O 7° São Pedro da Mudança
Festa Típica e Popular
Com um tema bem adequado:
Forrozão do Cordel Encantado
O amor está no “Arraiá”.

É uma Marca Registrada
Eu Digo, Garanto e Provo
“Unidos Pelo Trabalho”
O Governo e o Povo
Fez da Festa uma Tradição
Com Força e Organização,
Criatividade e Renovo.

A Festa, para Cidade,
Trás Diversos Benefícios
Por Gerar Emprego e Renda,
Pois são Vários os Ofícios
Num Processo Artesanal
Taboa, Junco, e Sisal
São Recursos bem Propícios.

Com Belas Palhas de Coco
Barracas são Construídas
Para Acolher quem Chega.
Nelas são Oferecidas
Quentão pra Gente Esquentar,
Forró pra quem quer Dançar
Além de Típicas Comidas.

Culturas são Cultivadas
Neste Solo Abençoado
Na ginga da Capoeira,
Dança de Roda e Reisado,
A Filarmônica em Harmonia
Trança Fita com a Alegria
De um Padroeiro Adorado.

E os Bonecões Desfilam
Na Faixa do Karatê;
Na Quadrilha Dança a Moça,
O Rapaz Assiste e Vê...
No Bumba do dia Dezoito,
Fica Todo Mundo Afoito
Eu Quero Encontrar Você.

De Repente Vêm os Noivos
Desfilando Numa Carroça
O Povo Gritando: Viva!
É o Casamento na Roça
Depois, já no Pau de sebo,
A Moça atenta o Mancebo
Se não Conseguir Tem Troça.

A Figura Quase Extinta
Do Vaqueiro Aboiador,
Com Gibão, Chapéu de Couro
E um Cavalo Corredor
Usando a Espora e um Laço
Laça o Coração e o Abraço
Do seu Admirador.

Oi, lá vem um Sanfoneiro
Arrochando o Nó no Fole!
Entre um Xote e um Pé de Serra
Só não Dança quem for Mole.
Quando Toca um Arrasta Pé
“O’ Zome Pega’s Muié”
Depois de Tomar um Gole.

Nosso Primeiro São Pedro,
Tilinha que Organizou,
No Ano de Sessenta e Nove,
 E Toda a América Festejou
Eis Um Cantinho do Céu!
Pra Tonhe, eu Tiro o meu Chapéu,
Pois na História Ele Entrou.

Agnaldo Oliveira Lopes
O Prefeito atual,
Ao Assumir o Governo,
Numa Ação Primordial
Em União Com o Povo,
Ergueu um São Pedro Novo
Em Dimensão e Visual.

Foi Firmado o Compromisso
De Resgatar as Tradições
E os Costumes da América
Tão Dourada de Paixões.
Com o Sucesso Alcançado
Meu Cordel ta Encantado
Encantando as Multidões.

O São Pedro Da Mudança
Ganhou Tons Característicos,
Variações Culturais
Todas Com Dotes artísticos
 A Arte, pois, Tem seu Mérito
Por Ganhar Espaço e Crédito,
Meios para Fins Turísticos.

Pessoas de Toda Parte,
Hoje, Vem à Nossa Festa
Vem do Rio de Janeiro,
De São Paulo e da Floresta,
Gente da Bahia Inteira
Vem Dançar, Pular Fogueira
Porque Sabe que Aqui Presta.
  
Estamos, pois, Convidando
Você que é Folião,
Que Gosta de um Aconchego,
Que Curte um Xote e um Baião,
Venha ao São Pedro Animado
“Forrozão do Cordel Encantado”
É Muito Amor no Coração.
  
América Dourada Espera
Por Vocês de Toda Idade,
De qualquer Classe ou Cor,
Seja de Qualquer Cidade,
Vem com a Gente “Festejá”
O Amor Está no “Arraiá”
Pra te Dar Felicidade.


VERDADES ABSOLUTAS. Silva Dias.

Meus olhos têm visto as mudanças
Que tão rapidamente ocorrem no planeta
Talvez essas sejam as únicas
Verdades absolutas.
O verde é transformado em cinza,
Vidas não valem nada,
As árvores virando carvão;
Os rios tratados como lixo,
Afogados na merda
E o ar respira a poluição.

Meus olhos têm visto a crueldade
Que a insanidade humana
Tem feito ao planeta,
Mas isso não é nem a metade
Das verdades absolutas.

Pessoas transformam-se em bombas,
Estouram-se nos ares
Causando morte e destruição;
Crianças são vítimas da fúria,
O amor virou cilada
E a esperança arremessada ao chão.

A humanidade está vestida de vermelho,
O homem ainda fala em civilização,

Família, Estado e Igreja fracassados
Ninguém confia mais nas bases da nação;

A consciência dos humanos virou pedra
E os valores perderam todo valor.
Esta é a geração que ama a hipocrisia
E que odeia a verdade e o amor;

Não, eu confio neles não
Não acredito no que falam

Seja política ou religião.

TRAUMA. Silva Dias.



Há um sentimento aviltante, estóico, causticante
Exaurindo-me o íntimo por inteiro;
Deixando-me extraviático, em delírio, em desespero,
Guiando-me sem rumo por um caminho errante.

Desejo óxido, impragmático, um paradoxo
Enertizando-me como um infausto inebriático;
Desferindo-me o seu punhal estigmático;
Perdi o meu eu, sou tão somente um travo tóxico.

É mesmo em transe que estou pelo que sinto,
Pois o que sinto, nem em transe, compreendo.
Se nesse trauma sou ofensa e ofendido,

E se ofendido, ofegante, vou morrendo,
Como é que posso inverter o meu instinto

Se nem por mim posso ser compreendido?

ILUSÃO ILUMINADA. Silva Dias



 O amor é uma ilusão iluminada
Irradiando o coração do iludido,
Deixando-o extático, exultante, exaurido,
A luz do tudo que, do nada, faz-se em nada;

É a mentira que embala, enlaça, encanta
E faz o olhar inundar-se em doce pranto;
É verdade que aflige e causa espanto
E faz a voz entalar-se na garganta;

Amor é insânia, juramento e injúria,
Um beijo doce com o amargor da hipocrisia;
É a brandura enrustida pela fúria
                                                                                      

E a tristeza disfarçada de alegria;
Jardim em flor infestado de espinho,
É ter consorte e viver vago, sem carinho.

SEM PECADO E DESATINO. SILVA DIAS





Quando eu era menino
Meu mundo era diferente,
Pois vivia tão contente
Em meu Sertão Nordestino
Sem pecado e desatino
Meu trabai era brincá
Linda noite de luá
Cantiga e diversão
De roda tinha canção
Bananêra Bananá.

Um tempo de liberdade
Num tinha preocupação
Menino de pé no chão
Na maió simplicidade
A luz da felicidade
A gente via brilhá
Não importava o lugá
Todo mundo era feliz
Cantano o verso que diz:
Bananêra Bananá.

Era tanta brincadêra
Nas noite de São João,
Cumade me dê a mão
Vamos ali pulá  foguêra
A Lua Chêa e facêra
Tão linda a iluminá
Na quadrilha a dançá
Os casal se agarrano
O povo todo cantano:
Bananêra Bananá.

Os menino paquerava
E as menina também,
A gente se queria bem
E muito se respeitava
De repente pai chamava:
“Ô menino, venha cá”!
Com medo de apanhá
A gente obedecia
Cantano com alegria:
Bananêra Bananá.

Brinquei de jogá pião,
Bola de meã e de gude
Joguei tudo quanto pude
Na mais pura diversão
Vovô disse com razão:
Procure aproveitá
Todo tempo de brincá
Pois tudo se caba um dia
Só não morre a alegria
Bananêra Babaná.

Hoje eu fico pensano:
Como o mundo mudô!
Quase tudo se acabô
E o povo se lamentano
Feliz que ta resgantano
Os custume populá
Pricisamo preservá
A nossa identidade
Cantano com liberdade

Bananêra Bananá.

QUANDO NASCE O AMOR. SILVA DIAS




Vejo o teu sorriso
Com o qual sonhei
O teu silêncio é a mais linda voz
Que já escutei;

É um momento eterno
Pra curar a minha dor
Ver a paz pisar em meu caminho
Com cheiro de flor;

Eu me encantei demais, demais...
Quando te encontrei
E foi tão bom te ouvir e te falar
Tudo o que pensei.

Eu, enfim, amei demais, demais...
Junto de você
E esse amor é muito mais que um sonho bom,
É o que me faz viver.

Vai brilhar pra sempre
A luz desse amor
O meu desejo vive a navegar
O mar do teu calor;

Dentro dos teus olhos
Eu posso mergulhar
E lá no fundo ver o sentimento
Livre pra voar;

Eu me encantei demais, demais...
Quando te encontrei
E foi tão bom te ouvir e te falar
Tudo o que pensei.

Eu, enfim, amei demais,  demais...
Junto de você
E esse amor é muito mais que um sonho bom,
É o que me faz viver.
E esse amor é muito mais que um sonho bom,

É o que me faz viver.

O homem pinta um futuro inclemente Com as cores da ânsia e da amargura. Silva Dias


Desde o início das civilizações
Os humanos têm feito a sua história
Com cobiça, ciência, sangue e glória
Em seus insaciáveis corações.
Os seus sonhos fomentam evoluções
Culminando-se, às vezes, com a cura
Das moléstias, do atraso, da tortura.
Mas, em tudo, o mal se faz presente.
O homem pinta um futuro inclemente
Com as cores da ânsia e da amargura.

A ciência vem correndo apressada
Pelos campos do mundo faz sucesso
Abraçada com o tempo e o progresso
Duma revolução super alçada,
Mas a cena do mundo é rodada
Em um palco de infâmia e desventura
Onde os astros perderam a compostura
E o filme é horrível e indecente.
O homem pinta um futuro inclemente
Com as cores da ânsia e da amargura.

Nos pilares sociais ninguém confia
Abaladas estão as suas estruturas.
A Família é rebeldia e rupturas;
A Igreja é luxúria e hipocrisia;
O Estado é a vergonha em demasia;
A Escola é a desordem que perdura,
Pois a vida é somente uma aventura
Em uma realidade tão demente.
O homem pinta um futuro inclemente

Com as cores da ânsia e da amargura.

PSICOANTONÍMIA. Silva Dias.



Sou somente a semente do desconhecido,
A insanidade é a raiz do meu intelecto;
Tenho produzido os frutos do introspecto
Tornando-me força e vitória, mesmo já vencido.

Quem pode compreender o meu aspecto?
Quem me escuta se o meu timbre é o silêncio?
Corrompido é que me tornei Inocêncio
E, desprendendo-me do meu ser é que me detecto.

Quando em pedaços é que me sinto moldado
Quando no escuro é que me vejo brilhar
Quando em tristeza, cobre-me a felicidade

Quando sozinho, sei que estou acompanhado
Quando em prisão é que vivo a liberdade

Quando acordado, há motivos pra sonhar.

Nesse Doentio Processo Big Bosta faz Sucesso E a fazenda é um Lamaçal: Silva Dias



Eu vivo impressionado
Como o povo, hoje em dia,
Anda tão obcecado
Por lixo, por porcaria.
É na alimentação,
Na forma de diversão,
No proceder em geral.
Nesse doentio processo
Big Bosta faz sucesso
E a fazenda é um lamaçal.
  
E ninguém parece ver
O quanto isso é ruim
Reprovaram bons costumes,
Nos valores, deram fim.
A coisa ficou foi preta!
Ser decente é ser careta,
Ser certo não é normal.
Nesse doentio processo
Big Bosta faz sucesso
E a fazenda é um lamaçal.

Homens, mulheres, crianças
Rumam a mesma direção
Buscam a independência
Sem temor, preocupação
Numa relação sem respeito
Cada um faz do seu jeito,
Desprezando a moral.
Nesse doentio processo
Big Bosta faz sucesso
E a fazenda é um lamaçal. 

A televisão explora
Do povo, a ignorância
Com uma programação
Suja, em extravagância
Manobra as suas mentes
Deixando-os inconscientes
Do que é prejudicial
Nesse doentio processo
Big Bosta faz sucesso
E a fazenda é um lamaçal.
  
Invadiram os nossos lares
Com essas loucas imagens
Horríveis, desvirtuadas
E paupérrimas mensagens
Incapazes de instruir...
Seu papel é destruir
As virtudes, afinal
Nesse doentio processo
Big Bosta faz sucesso
E a fazenda é um lamaçal.

E as pessoas se alegram
Com toda essa indecência
Elas aceitam de tudo
Sem peso de consciência
A realidade é triste
Porque o erro persiste
O bem se tornou mal.
Nesse doentio processo
Big Bosta faz sucesso
E a fazenda é um lamaçal.

Já não bastam as novelas
Com seus textos desprezíveis
Repletos de incentivos
Às práticas inconcebíveis:
Violência e traição
Mentira, roubo e ambição.
Uma tragédia total.
Nesse doentio processo
Big Bosta faz sucesso
E a fazenda é um lamaçal.

As tardes de babaquices
Tem Márcia, Nelson, Leão
E um monte de patéticos
Com fofocas, confusão.
A mais pobre concorrência
Brigando pela audiência
Do telespectador vagal
Nesse doentio processo
Big Bosta faz sucesso
E a fazenda é um lamaçal.

Programanóides noturnos
Apelam à pornografia
Tem Galisteu e a Gimenez
Tudo vira epidemia
Aberrações são expostas
Todos fazendo apostas,
Pois o “RELES” é o canal.
Nesse doentio processo
Big Bosta faz sucesso
E a fazenda é um lamaçal.

Olha que isso não é tudo!
Besteirol tem de montão.
As disputas do Gugu
Com o babaca Faustão,
Nos domingos (Nada Novo)
Eis a diversão do povo
Um descontrole total
Nesse doentio processo
Big Bosta faz sucesso
E a fazenda é um lamaçal.
  
Se o Estado não é exemplo,
A mídia também não é.
A família perdeu o rumo,
A escola ta em que pé?
A Igreja apodreceu
E o homem desvaneceu
No meio de um vendaval.
Nesse doentio processo
Big Bosta faz sucesso
E a fazenda é um lamaçal.
  
Que podemos esperar
De um Sistema aviltado?
Governantes são corruptos
O povo é desinformado
A lei não dá segurança
Nada inspira confiança,
Pois o mundo infernal.
Nesse doentio processo
Big Bosta faz sucesso

E a fazenda é um lamaçal.