Texto extraído de: “Conversando com a Solidão”, livro do poeta Silva Dias, ainda não publicado.
A ciência dá a seguinte definição para trauma: “Abalo Mental e Emocional Capaz de Provocar Sérios Distúrbios Nervosos em suas Vítimas”, ou ainda, “Choque Violento Capaz de Desencadear no indivíduo Perturbações Somáticas e Psíquicas”. Mas, esta é somente uma definição técnica e básica, pois isto não é tudo que se deve saber a respeito. Há muito mais envolvido. É necessário e fundamental se ter um conhecimento esclarecedor da razão, uma vez que, o “Abalo” pode surgir de uma ou mais causas, já que ele constitui-se como efeito. Uma vez consumado, porém, esse mesmo “Abalo” torna-se genitor de diversos efeitos desagradáveis que são justamente os “Distúrbios”.
Portanto, em primeiro lugar é preciso entender como e quando um “Abalo” pode surgir de uma só causa. Digamos que uma pessoa esteja só em casa e, de repente, surge um ladrão com uma arma em punho dando voz de assalto e agindo com uma considerável violência. Ao ladrão entrar em casa ele já causa um choque para o morador ou moradora, tanto pela ação inesperada quanto pela presença da arma em punho. Assim, ao se deparar com a situação, a pessoa sofre uma reação drástica do metabolismo químico do seu corpo, uma vez que, este, ou seja, o corpo passa a produzir, instantaneamente, substâncias capazes de afetar o Psicológico, o Emocional e o Físico. Nesse momento, seu sistema Cardiorrespiratório sofre uma aceleração da Pressão Arterial aumentando as batidas do coração e deixando a vítima com a respiração descontrolada.
Dizemos, portanto, que aquilo que os olhos viram e os ouvidos ouviram soam para o cérebro como uma espécie de alerta instantâneo. O cérebro, por sua vez, produz o que podemos comparar com uma corrente elétrica que aciona todo o sistema nervoso central. Mas, devido ao alerta ter sido dado bruscamente, o cérebro deixa de funcionar ordeiramente, pelo menos em parte, perdendo o senso real e entrando em desconfiguração. Daí, como numa prostração súbita, ele faz com que todo o corpo reaja desordenadamente e deixe a pessoa vulnerável às reações química posteriores, como no caso do coração que sofre uma sobrecarga na corrente sanguínea e entra em aceleração exacerbada.
Por outro lado, as substâncias químicas produzidas fazem com que o corpo reaja de diversas maneiras, tais como: Paralisação, ou atrofiamento dos nervos; arrefecimento, ou calor excessivo seguido de muito suor; ausência da voz, ou crise de gritos repetidos e de choro; tremedeira excessiva e palidez, além de o medo mórbido, pânico. Podendo estas reações variar de pessoas para pessoas.
Em casos dessa natureza, ou em outros semelhantes como: Assalto em ruas, assassinatos, sequestros relâmpagos, ou mesmo ao se presenciar cenas de acidentes com vítimas fatais, é comum acontecer um “Abalo” ou “Trauma”. É digno de nota também, que em algumas pessoas que já são portadoras de insuficiência cardíaca, abalos muito fortes podem e são muitas vezes fatais, uma vez que, com o aumento acelerado da pressão cardíaca, a vítima, por sofrer de cardioinsuficiência, não resiste ao trauma e acaba falecendo.
No entanto, dizemos que aqueles que sobrevivem a esses tipos de “Abalos” ficam traumatizados porque, naquele momento, o Cérebro, automaticamente, grava o acontecimento e, consequentemente, fará com que a pessoa reviva as cenas do episódio através de flashes disparados pelo inconsciente, ou em momentos em que ela, conscientemente, veja cenas semelhantes na TV, ou escute notícias do naipe. Neste estado, tal pessoa sofre perturbações, mal estar com a presença do medo, sofre com a insegurança e outros distúrbios causados pelo “Trauma” e, portanto, está passível de tratamento médico, acompanhamento psicológico indispensável e de total atenção compreensiva daqueles com quem convive diariamente. Do contrário, ou seja, sem o devido acompanhamento, a tendência do seu quadro é se agravar trazendo maiores conseqüências posteriores.
Em segundo lugar, um “Trauma” pode ser desenvolvido aos poucos a partir do momento em que a pessoa passa a sofrer uma sequência de atos injustos e irresponsáveis cometidos por outrem. Essa variedade de atos, geralmente, são as agressões físicas repetidas, as agressões verbais, as atitudes de desprezo, as recheadas de hipocrisia, de arrogância e prepotência que, quase sempre, estão associadas à discriminação e ao preconceito. Assim, o “Trauma”, depois de consumado, é o “Efeito Final” de um, ou de vários atos também chamados de “Causas”. No entanto, como efeito de uma ou mais causas, o “Trauma” torna-se um causador de muitos outros efeitos, também chamados de Distúrbios ou Perturbações que afetam tanto o físico quanto o psíquico do indivíduo vítima. E como já vimos, entre os distúrbios está o desequilíbrio da pressão arterial seguida de crises nervosas como a aceleração cardíaca, atrofiamento dos músculos, insegurança, medo, crise de choro, abaixamento de nível (Crise nervosa consumada através da ira descontrolada e impaciência), ausência do autoestima seguida de isolamento, todos, resultados da produção exagerada de substâncias químicas que vão descaracterizando o funcionamento dos órgãos fazendo com que a pessoa reaja negativamente. Porém, nunca é demais lembrar que todos estes sintomas podem variar de uma pessoa para outra.
Portanto, do “Trauma” é perfeitamente possível surgir a “Depressão”, uma vez que, “Esta”, é a soma de vários sintomas ao mesmo tempo. Exemplo: Medo+Cólera+tristeza+Impotência+Dor+Incredulidade+Impaciência+Insônia+ Indecisão. Somados, estes fatores provocam um desequilíbrio Psícosentimental e físico fazendo a pessoa agir descontroladamente por gritar, xingar muito, quebrar objetos, pular, mudar de cor, partir para a violência, enfim, mudança completa de comportamento. Assim, é perfeitamente possível que uma pessoa com Depressão possa cometer atos grotescos sem se dar conta disso, pois a sua angústia nada mais é do que o desejo descontrolado de fugir do seu problema de forma, muitas vezes, inconsciente. Por isso é que, em tantos casos, a pessoa depressiva caminha em direção ao abismo sem ter uma idéia consciente do que ta fazendo e chega a ponto de cometer suicídio.
Já no caso do “Estresse” que também é um desequilíbrio do organismo tanto de ordem Psíquica quanto física, causado por diferentes ofensivas, porém, bem menor que no caso da “Depressão”, a pessoa pode contraí-lo desde o ventre. De acordo com estudos feitos por diversos pesquisadores no campo da ciência médica, crianças que foram geradas no ventre de mães estressadas durante a gravidez, apresentaram, logo após o nascimento, sinais claros de estresse e, portanto, quando não devidamente tratadas, desenvolvem a doença com maior facilidade ao longo dos seus anos de vida. Esses bebês trazem consigo uma maior probabilidade de se tornarem mulheres e homens mais agressivos, desequilibrados e desolados, portanto, vítimas precoces da “Depressão”. Isto é fácil de comprovar quando observamos as crianças da nossa realidade como se comportam, ainda no berço, como irrequietas, inconformadas, choronas e irritadas. Mas o estresse, principalmente em nossos dias e em pessoas adultas, surge mais em virtude da ansiedade excessiva, do excesso de trabalho, das sobrecargas impostas, da própria falta de trabalho e preocupações exageradas, entre outras coisas


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