Cordel e Poesia

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Biografia do Poeta Cordelista Silva Dias

Biografia do Poeta Cordelista Silva Dias: sua origem, suas histórias e causos

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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Jornada Sofrida.


"Poesia de cordel em décima de sete sílabas"
De: SILVA DIAS


Eu não pedi pra nascer,
Mas um milagre profundo
Trouxe-me a este mundo
E depois me fez crescer
Para subir e descer
No elevador da vida
Aprendendo com a lida
Sobre ódio e amor,
Pois o mundo é um corredor
Onde a jornada é sofrida.


Convivo com a incerteza,
Com a falta de segurança
Hoje, não sou mais criança
Perdi a minha a pureza
Fui conhecendo a tristeza
Como é dura e atrevida!
Tento encontrar uma saída
Para fugir do clamor,
Pois o mundo é um corredor
Onde a jornada é sofrida.

A minha infância passou
O tempo zomba de mim
Todo tempo tem um fim,
Mas outro tempo chegou.
Minha cabeça mudou,
Sujeição interrompida...
É uma fase dirigida
Por um desejo agressor,
Pois o mundo é um corredor
Onde a jornada é sofrida.

Estou cheio de energia
Já sou um adolescente
Teimoso e inconsistente
Mergulhado em fantasia
E sonho a cada dia
Com uma bela adormecida.
Nesta fase dolorida,
Sou frágil como uma flor,
Pois o mundo é um corredor
Onde a jornada é sofrida.

A juventude me abraça
Tudo fica mais bonito
Já não ando tão aflito
Vivo um romance na praça.
To em estado de graça
Junto à minha querida,
Mas a bela adormecida
Desperta com o seu furor,
Pois o mundo é um corredor
Onde a jornada é sofrida.

Viro vítima do sistema
Correndo atrás do futuro
Passo raiva e apuro
E tudo vira um dilema
A cada instante um problema,
Saúde é comprometida
E a senda é corrompida,
Num sistema opressor,
Pois o mundo é um corredor
Onde a jornada é sofrida.

Sigo buscando a verdade
Verdade que não existe
Quase sempre fico triste
Com a minha fragilidade
Fruto da complexidade
Gerada d’uma mordida
Causadora da ferida
Que deu origem ao terror,
Pois o mundo é um corredor
Onde a jornada é sofrida.

E nas garras do pecado
Sobrevivo como um louco
Expirando pouco a pouco
Porque já fui condenado
A morte vive ao meu lado.
Em condição decaída,
Minha alma entristecida
Precisa de um redentor,
Pois o mundo é corredor
Onde a jornada é sofrida.

Para ganhar a redenção
Preciso ouvir conselho
E dobrar cada joelho
Com a face exposta ao chão
Implorar pelo perdão
Pra minha voz ser ouvida
A cura foi prometida,
Mas permaneço na dor,
Pois o mundo é um corredor
Onde a jornada é sofrida.

E assim, vou navegando,
Navegando sem parar.
Meu barco a naufragar,
Porém, sigo acreditando
Remando, sempre remando
Nessa rota obstruída.
A força, já enfraquecida
Vai me causando pavor,
Pois o mundo é um corredor
Onde a jornada é sofrida.

O tempo, não dá descanso
E de tudo muda a cara
Ele junta e separa
Ele é bravo e é manso
E dentro do seu balanço
A rotina é repetida
Minha sentença ta mantida
Faça frio, faça calor,
Pois o mundo é um corredor
Onde a jornada é sofrida.

Prossigo desvanecendo
Neste corredor da morte
Cortejando a minha sorte
Que de cima vem descendo
No entanto, escrevendo,
Preparo-me para a partida.
Minha luz será mantida
Nos versos, caro leitor,
Pois dentro do corredor
Minha jornada foi cumprida.

"A angústia Metropolitana na visão dele".


Texto extraído do livro "Coversando com a Solidão" 

ainda não publicado, de Silva Dias.


         Não sei o que seria de mim se você na estivesse comigo neste agitado mundo metropolitano. Já observou como as pessoas que sobrevivem por aqui são tão frias, insensíveis e desvairadas? Não é impressionante como esta cidade cresce tão assustadoramente para todos os lados, como acolhem a todos os que chegam de todas as partes do mundo e, também, como ela faz com que as pessoas percam seus sentimentos de carinho, de consideração e de respeito pelo próximo, deixando-as mal educadas, egoístas, medrosas, covardes e desconfiadas até do vento que sopra ao seu redor? Essa energia metropolitana é desumana, desonesta, mórbida e destrutiva. Não consigo me adaptar a este tipo de sobrevivência.  Às vezes, fico de bobeira em diferentes lugares desta cidade só para observar e tentar compreender o comportamento desesperado dessa pobre gente escrava e prisioneira deste círculo vicioso. E não pense que é uma tarefa fácil, pois não é mesmo. Há uma situação totalmente paradoxal e quem analisa, cuidadosamente, vê e sabe que o que digo aqui é a mais pura verdade.
         Por exemplo, as condições em que esta mega cidade se encontra não são nada favoráveis para a saúde física, emocional, espiritual e psicológica de nenhum dos seus moradores, quer sejam ricos ou pobres. A própria imagem física, isto é, a construção dela já é paradoxal. Esses prédios gigantescos e cheios de espetáculos, com suas janelas de vidros claros ou escuros apresentam a exímia competência da engenharia civil demonstrada através de estilos modernos e exorbitantes em todas as construções que formam o mundo pomposo. Porém, em meio a tudo isso, encontra-se o mundo do descaso e da vergonha, da desestrutura, da paupérrima desorganização e da simplicidade assustadora das favelas. Que mundo estranho! A discrepância não é somente uma impressão que talvez se tenha a primeira vista, ela é real, desonesta e doentia. E tudo rola numa normalidade tão impressionante que dá a impressão de que o mundo tenha sido criado para ser assim mesmo, ou seja, uma parte tem que pertencer à nobreza,  luxúria, exuberância e autosuficiência, enquanto que a outra tem que ser da escória, da miséria, do abandono e da carência tantas vezes ao extremo. E gente como eu que jamais se acostumou com a desigualdade e que jamais se conformará com isso tudo, sente na pele e no íntimo as punhaladas da injustiça e acaba sofrendo muito mais do que nunca deveria.
        Depois, têm tantas coisas a serem consideradas que até deixa o observador perplexo. Tudo isto aqui está poluído de todas as formas que se possa imaginar. A poluição do ar, por exemplo, chegou a um estado tão crítico que o percurso que se faz do trabalho para casa é o suficiente para deixar a pele repleta de substâncias tóxicas e cancerígenas. Eu tenho feito várias experiências por observar cuidadosamente a condição da roupa, das mãos, do rosto, em especial, o nariz e os olhos e vejo como ficam afetados pela cor escura e mal cheirosa da poluição. O mal está literalmente em nossa cara, mas existe uma multidão que não vê, outra que finge não vê, ainda outra que apesar de vê, acha que nunca irá sentir seus efeitos. Enquanto isso, tantos outros preferem ignorar o problema. Isto vale para os nobres e para os miseráveis.
        No entanto, há um risco que se corre em relação à poluição sonora, à poluição das águas, à séria irresponsabilidade para com o lixo que é exposto, à proliferação mortífera das drogas, à incontrolável exploração dominadora da prostituição. E quem disse que o risco não se torna ainda maior devido à falta de segurança para com toda a violência que atinge cada ponto desta gigantesca cidade brasileira e que faz a sua exagerada população viver cada dia mais doente?
        Os excessos existentes por aqui me deixam inconformado e aborrecido. São os rios e os córregos que não existem mais como antes, pois, onde antes havia água em abundância para saciar os peixes, a vegetação e os animais de toda sorte que por aqui habitavam, hoje são apenas canais de dejetos, adaptados para receberem os mais fétidos esgotos e toneladas de lixo de toda espécie, que são jogados todos os dias por uma multidão de pessoas mal educadas, insensíveis e de consciências minúsculas, que parecem desconhecer todos os princípios básicos de higiene, de respeito e de sentimento sincero ao próximo e ao meio ambiente. E parece que eu mencionei “Meio Ambiente”? Pobre do “Meio Ambiente”! Na verdade, em relação ao “Meio Ambiente”, acho que mais da metade deste meio já foi pro espaço. O que ainda nos resta vive a agonizar. Basta olhar o “Ambiente” para se ter a confirmação de como anda o meio.
       Tenho analisado todas as partes e observo que o desespero é a única imagem visível, pois o desconforto está em todas as coisas e por todos os lados. Nas residências, por exemplo, há insegurança e violência, às vezes interna, e quase sempre que vem de fora; há problemas com as chuvas que estão sempre caindo e causando alagamentos, desabamentos, prejuízos materiais e, acima de tudo, prejuízos humanos quando eliminam dezenas e dezenas de vidas; há desconforto nos ônibus lotados, nos trens, nos táxis e em todos os veículos que precisam se locomover para, juntos, causarem os maiores engarrafamentos de um trânsito cada vez mais comprimido e caótico. Esta é uma verdade diária que se inicia nas primeiras horas em que é preciso sair de casa para se chegar ao trabalho, ou no final do dia quando é necessário sair do trabalho e voltar para casa. O desconforto está até nos espaços de lazer como parques, praças, cinemas, shoppings, restaurantes, bares e danceterias, pois em todos estes locais faz-se presente o imprevisível e até mesmo o que já é previsível devido a essa inegável e mortal realidade, embora, não aceita. E depois de ficar analisando tudo isso e muito mais, acabei escrevendo essa poesia:
      

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

ENCONTRO ACADÊMICO NO EPICENTRO MUNDIAL DE ARQUEOLOGIA EM CENTRAL-BA, REALIZAÇÃO UNEB E PREFEITURA DE CENTRAL, ANO DE 2005.

ENCONTRO ACADÊMICO NO EPICENTRO MUNDIAL DE ARQUEOLOGIA EM CENTRAL-BA, REALIZAÇÃO UNEB E PREFEITURA DE CENTRAL, ANO DE 2005.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O "TRAUMA " na Análise da Solidão.

Texto extraído de: “Conversando com a Solidão”, livro do poeta Silva Dias, ainda não publicado.

       A ciência dá a seguinte definição para trauma: “Abalo Mental e Emocional Capaz de Provocar Sérios Distúrbios Nervosos em suas Vítimas”, ou ainda, “Choque Violento Capaz de Desencadear no indivíduo Perturbações Somáticas e Psíquicas”. Mas, esta é somente uma definição técnica e básica, pois isto não é tudo que se deve saber a respeito. Há muito mais envolvido. É necessário e fundamental se ter um conhecimento esclarecedor da razão, uma vez que, o “Abalo” pode surgir de uma ou mais causas, já que ele constitui-se como efeito. Uma vez consumado, porém, esse mesmo “Abalo” torna-se genitor de diversos efeitos desagradáveis que são justamente os “Distúrbios”.
       Portanto, em primeiro lugar é preciso entender como e quando um “Abalo” pode surgir de uma só causa. Digamos que uma pessoa esteja só em casa e, de repente, surge um ladrão com uma arma em punho dando voz de assalto e agindo com uma considerável violência. Ao ladrão entrar em casa ele já causa um choque para o morador ou moradora, tanto pela ação inesperada quanto pela presença da arma em punho. Assim, ao se deparar com a situação, a pessoa sofre uma reação drástica do metabolismo químico do seu corpo, uma vez que, este, ou seja, o corpo passa a produzir, instantaneamente, substâncias capazes de afetar o Psicológico, o Emocional e o Físico. Nesse momento, seu sistema Cardiorrespiratório sofre uma aceleração da Pressão Arterial aumentando as batidas do coração e deixando a vítima com a respiração descontrolada.
       Dizemos, portanto, que aquilo que os olhos viram e os ouvidos ouviram soam para o cérebro como uma espécie de alerta instantâneo. O cérebro, por sua vez, produz o que podemos comparar com uma corrente elétrica que aciona todo o sistema nervoso central. Mas, devido ao alerta ter sido dado bruscamente, o cérebro deixa de funcionar ordeiramente, pelo menos em parte, perdendo o senso real e entrando em desconfiguração. Daí, como numa prostração súbita, ele faz com que todo o corpo reaja desordenadamente e deixe a pessoa vulnerável às reações química posteriores, como no caso do coração que sofre uma sobrecarga na corrente sanguínea e entra em aceleração exacerbada.
        Por outro lado, as substâncias químicas produzidas fazem com que o corpo reaja de diversas maneiras, tais como: Paralisação, ou atrofiamento dos nervos; arrefecimento, ou calor excessivo seguido de muito suor; ausência da voz, ou crise de gritos repetidos e de choro; tremedeira excessiva e palidez, além de o medo mórbido, pânico. Podendo estas reações variar de pessoas para pessoas.
        Em casos dessa natureza, ou em outros semelhantes como: Assalto em ruas, assassinatos, sequestros relâmpagos, ou mesmo ao se presenciar cenas de acidentes com vítimas fatais, é comum acontecer um “Abalo” ou “Trauma”. É digno de nota também, que em algumas pessoas que já são portadoras de insuficiência cardíaca, abalos muito fortes podem e são muitas vezes fatais, uma vez que, com o aumento acelerado da pressão cardíaca, a vítima, por sofrer de cardioinsuficiência, não resiste ao trauma e acaba falecendo.
       No entanto, dizemos que aqueles que sobrevivem a esses tipos de “Abalos” ficam traumatizados porque, naquele momento, o Cérebro, automaticamente, grava o acontecimento e, consequentemente, fará com que a pessoa reviva as cenas do episódio através de flashes disparados pelo inconsciente, ou em momentos em que ela, conscientemente, veja cenas semelhantes na TV, ou escute notícias do naipe. Neste estado, tal pessoa sofre perturbações, mal estar com a presença do medo, sofre com a insegurança e outros distúrbios causados pelo “Trauma” e, portanto, está passível de tratamento médico, acompanhamento psicológico indispensável e de total atenção compreensiva daqueles com quem convive diariamente. Do contrário, ou seja, sem o devido acompanhamento, a tendência do seu quadro é se agravar trazendo maiores conseqüências posteriores.
        Em segundo lugar, um “Trauma” pode ser desenvolvido aos poucos a partir do momento em que a pessoa passa a sofrer uma sequência de atos injustos e irresponsáveis cometidos por outrem. Essa variedade de atos, geralmente, são as agressões físicas repetidas, as agressões verbais, as atitudes de desprezo, as recheadas de hipocrisia, de arrogância e prepotência que, quase sempre, estão associadas à discriminação e ao preconceito. Assim, o “Trauma”, depois de consumado, é o “Efeito Final” de um, ou de vários atos também chamados de “Causas”. No entanto, como efeito de uma ou mais causas, o “Trauma” torna-se um causador de muitos outros efeitos, também chamados de Distúrbios ou Perturbações que afetam tanto o físico quanto o psíquico do indivíduo vítima. E como já vimos, entre os distúrbios está o desequilíbrio da pressão arterial seguida de crises nervosas como a aceleração cardíaca, atrofiamento dos músculos, insegurança, medo, crise de choro, abaixamento de nível (Crise nervosa consumada através da ira descontrolada e impaciência), ausência do autoestima seguida de isolamento, todos, resultados da produção exagerada de substâncias químicas que vão descaracterizando o funcionamento dos órgãos fazendo com que a pessoa reaja negativamente. Porém, nunca é demais lembrar que todos estes sintomas podem variar de uma pessoa para outra.
        Portanto, do “Trauma” é perfeitamente possível surgir a “Depressão”, uma vez que, “Esta”, é a soma de vários sintomas ao mesmo tempo. Exemplo: Medo+Cólera+tristeza+Impotência+Dor+Incredulidade+Impaciência+Insônia+ Indecisão. Somados, estes fatores provocam um desequilíbrio Psícosentimental e físico fazendo a pessoa agir descontroladamente por gritar, xingar muito, quebrar objetos, pular, mudar de cor, partir para a violência, enfim, mudança completa de comportamento. Assim, é perfeitamente possível que uma pessoa com Depressão possa cometer atos grotescos sem se dar conta disso, pois a sua angústia nada mais é do que o desejo descontrolado de fugir do seu problema de forma, muitas vezes, inconsciente. Por isso é que, em tantos casos, a pessoa depressiva caminha em direção ao abismo sem ter uma idéia consciente do que ta fazendo e chega a ponto de cometer suicídio.
        Já no caso do “Estresse” que também é um desequilíbrio do organismo tanto de ordem Psíquica quanto física, causado por diferentes ofensivas, porém, bem menor que no caso da “Depressão”, a pessoa pode contraí-lo desde o ventre. De acordo com estudos feitos por diversos pesquisadores no campo da ciência médica, crianças que foram geradas no ventre de mães estressadas durante a gravidez, apresentaram, logo após o nascimento, sinais claros de estresse e, portanto, quando não devidamente tratadas, desenvolvem a doença com maior facilidade ao longo dos seus anos de vida. Esses bebês trazem consigo uma maior probabilidade de se tornarem mulheres e homens mais agressivos, desequilibrados e desolados, portanto, vítimas precoces da “Depressão”. Isto é fácil de comprovar quando observamos as crianças da nossa realidade como se comportam, ainda no berço, como irrequietas, inconformadas, choronas e irritadas. Mas o estresse, principalmente em nossos dias e em pessoas adultas, surge mais em virtude da ansiedade excessiva, do excesso de trabalho, das sobrecargas impostas, da própria falta de trabalho e preocupações exageradas, entre outras coisas