Cordel e Poesia

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

LAMENTO

Silva Dias

Eu trago o tempo em meus versos
E exponho os versos ao tempo
Repletos de imagens, de fatos
Guardados no pensamento
Lembranças que fazem vibrar

As cordas de cada sentimento
E o peito entoa a canção
Que nasce das águas do lamento.

O laço do tempo calou
O canto do carro de boi
Boiada, Aboio e Vaqueiro
Também nesse laço se foi
Na sela do tempo em galope
Nesse Cavalo Matreiro
Só resta regar a saudade
Num Lamento Catingueiro

É assim que o tempo
Tem feito no dia a dia
Converte a poeira em asfalto
E tece a lembrança em poesia 
Na louca corrida do tempo
O meu refúgio é uma pescaria
Na louca viagem do tempo
O meu refúgio é uma pescaria.

É esse de fato o presente
Que o Presente trouxe pra mim
Um curral vazio e sem cheiro
Um laço certeiro... Enfim,
Uma vida agitada, sem campo
Sem paisagem e sem porteira
Viver não é mais brincadeira
Se o futuro espelha o fim.

É assim que o tempo
Tem feito no dia a dia
Converte a poeira em asfalto
E tece a lembrança em poesia 
Na louca corrida do tempo
O meu refúgio é uma pescaria
Na louca viagem do tempo
O meu refúgio é uma pescaria.

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